E aí galera, depois de muito tempo começarei enfim a postar por aqui também, ainda mais agora que a nossa amiga Shane está sem tempo, rs.
Quem acompanha alguma notícia por aí já deve estar sabendo sobre a mais nova do mundo GLSBT's (quantos t's?)... Agora casais gays podem se casar na Califórnia.
Confesso a vocês que a princípio o post de hoje seria sobre isso, mas me deparei com uma situação que me fez refletir. Em busca de notícias sobre esta nova, na tentativa de deixar este post mais completo, tive uma (grande) decepção. Ao procurar nos sites não encontrei nada escrito sobre "como isto é bom, agora casais que se amam e estão há anos esperando por uma brecha, poderão enfim se casar". Não, muito pelo contrário. O que encontrei na verdade foram números, de como isso poderia melhorar a economia da Califórnia. Números e mais números. Afinal, onde está o humanismo da coisa? Somos na verdade mais um empurrãozinho para a economia, e dane-se se ainda hoje, mesmo com a "permissão" do casamento, somos olhados com cara feia, desprezo e falta de respeito pela rua? E o mais interessante foi o local onde esta reportagem foi colocada -
entretenimento - e me pergunto ainda, o casamento de homossexuais é apenas uma coisinha que aconteceu por lá, que serve para divertir a todos? Desculpem-me se estou sendo um pouco (bastante) intolerante com o site, mas para mim soa como hipocrisia. Junto com esta reportagem podemos encontrar que fulaninho tal não participa mais do programa de não sei quem. Por favor, tenha paciência!
Ok, ok. Exaltei-me mais do que deveria.
Talvez eu esteja virando uma
bixa um pouco exaltada de mais, mesmo. Porém, convenhamos que eu tenho os meus motivos. Quando acontece esse tipo de coisa, e me refiro agora à "permissão" (falo de permissão pois foi este o termo que usaram), para mim fica tudo muito claro. Na verdade todos sabemos que
gays são
coisas que existem por aí. Pelo menos é assim que eu me sinto toda a vez que saio de casa e ouço comentários, quando não são os olhares..
Olhares, sim, piores do que palavras. E não venha me dizer que você não se importa com eles, que sua coragem e garra são maiores do que todos. Não. Aqui, estamos em família. Sim, esta grande família que chamam de
homossexuais. Eles, os seres que não fazem parte do mundo. Aqueles alí. Não esses daqui. Quem sabe, se você estiver de muito bom-humor, você até finge que não os viu se beijando (como? duas meninas? aquele rapaz com calça mais justa e que gesticula mais do que líder de torcida?). Não. Ainda não bebi. Porque se beber ainda resolvesse alguma coisa. Talvez a garrafa de uma vodka pudesse ser atirada na cabeça de pessoas assim. Mas aprendi na escolinha que violência não leva a nada. Claro que não. E conversa pior ainda, porque além de você falar, argumentar, gritar, chorar, sorrir, pedir, tentar, você se decepciona ouvindo qualquer coisa do tipo "
gay é tudo
igual e todos devem morrer com uma vassoura enfiada no -". Claro que sim.
Vejo que o rumo deste post mudou muito, mas a essência continua.
Pensando com otimismo, "pelo menos eles colocaram no site alguma coisa sobre nós -
gays" - "pelo menos ainda somos lembrados".
Mas para terminar a noite com chave de ouro, um comentário de um certo infeliz sobre o ocorrido.
"Agora até
puto pode se casar, onde esse mundo vai parar?"
Seguido de:
Puto [Do lat. *puttu, por putu, ‘menino’.] : Diz-se de indivíduo devasso, corrompido, dissoluto.
Realmente, onde esse mundo vai parar?